Instituto Pensar - “Não se derrota uma pandemia instigando o ódio”

“Não se derrota uma pandemia instigando o ódio”

por: José Jance Marques 


(Foto: Ernane Queiroz/Arquivo/Gay1)

Em entrevista ao jornal O GLOBO, a jornalista e escritora alemã Carolin Emcke, uma das referências mundiais de combate ao ódio da extrema-direita, fala sobre as manifestações deste fenômeno, que ameaça e oprime mulheres,  indígenasLBGTQIs e põe em risco a ordem democrática

Apesar de focado no cenário alemão, as reflexões que Emcke faz são universais: falam sobre a construção de um coletivo que, ao invés de respeitar as diferenças, defende a homogeneidade. Os diferentes, portanto, sejam eles defensores dos direitos humanos, imigrantes, negros ou pessoas trans, são vistos como inimigos. Ex-correspondente de guerra da revista alemã Der Spiegel, Emcke teve a obra laureada com o Prêmio da Paz oferecido pelo livreiros alemães durante a Feirado Livre de Frankfurt em 2016.

Na entrevista, a autora classificou o presidente Jair Bolsonaro como um "exibicionista do ódio”, e disse que não é uma coincidência que os países mais afetados pela Covid-19 sejam governados por populistas.

"Ao meu ver, Bolsonaro se provou antidemocrático em sua essência. Ele não respeita os direitos humanos, as instituições democráticas, o conhecimento científico e ele certamente não representa e nem quer representar todos os brasileiros. Ele sequer tem vergonha disso. Bolsonaro é um exibicionista do ódio. Ele simplesmente parece não se importar com o país ou com a população como um todo. Basta você ser indígena, homossexualtransexual, mulher, ou simplesmente pobre, para ser renegado como um cidadão. O que me dá esperança são os indivíduos e todos os grupos que representam um Brasil diferente, que estão lutando pela cultura democrática, pelos direitos humanos e das pessoas indígenas. Uma democracia é para todos – e só pode ser defendida por todos”

Carolin Emcke
fonte: www.socialismocriativo.com.br



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